[Foram três as entidades que montaram o circo mediático de legitimação da Cimeira da Nato em Lisboa: as altas-esferas políticas; a Polícia e os seus vários serviços; e os Media de Informação de Massa.
O ataque preventivo começou cedo. Ataque preventivo na rua, em Lisboa, ataque preventivo nos/dos Media contra os black block, ataque preventivo nas fronteiras.

O antimilitarismo esteve presente, através da Contra Cimeira, das Acções Directas Não Violentas Internacionais, através da Desobediência Civil, pela emergência de Grupos anti-Guerra, anti-Nato portugueses (PAGAN e C.A.G.A).

A linha clara entre um nacionalismo balofo e decadente de uma esquerda, anquilosada e fascizante, e um antimilitarismo internacionalista pujante é, sem dúvida, uma das consequências da preparação e realização das actuais Acções anti-Nato, em Portugal]
O ataque preventivo começou cedo. Ataque preventivo na rua, em Lisboa, ataque preventivo nos/dos Media contra os black block,ataque preventivo nas fronteiras.

Desta vez, a tripla entente (Estado-Guerra, polícia e Media) não precisou de polícia infiltrada, para isolar o adversário, para desviar a atenção dos 35 mil mortos civis afegãos, os torturados, o horror, o ódio, o terror espalhado pela Nato, pelo repúdio da nossa intervenção no Afeganistão.

Tinham a voz de comando do PCP: a farsa dos B.B (barbies big-brother), a psicose colectiva instigada na TV por Estado-Guerra, Polícia e Media, passava a ter a sua realidade na manifestação contra a Cimeira da Nato.

O facto da organização desta manifestação ter mostrado, previamente, um sectarismo absoluto tendo, inclusivé, em comunicado público, considerando a Pagan, Plataforma anti-guerra, anti-Nato, portuguesa, e todas as organizações internacionais antimilitaristas e pacifistas personas não gratas nesta manifestação, revela até que ponto o nacionalismo reacionário desta esquerda chegou. A polícia cumpriu o papel que um estado cada vez mais militarizado e policial lhe reservou.
A intervenção policial deu-se a pedido dos organizadores da manifestação quando mais de duas centenas de pessoas pretendiam integrar o protesto. A polícia, fortemente armada, cercou o grupo na cauda do cortejo. O que a organização da manifestação fez,
submetida à lógica centralista e autoritária do PCP, foi ilegal, ilegítimo e, sobretudo, um ultraje.

As Acções Directas não Violentas realizadas pelo C.A.G.A (Contra a Guerra Age!) e por este grupo integrando uma Acção Directa Não Violenta Internacional, no bloqueio de acesso à Cimeira, em Cabo Ruivo, fortemente reprimida com a prisão de 42 activistas, tiveram uma resposta exemplar através da desobediência civil e das concentrações e manifestações de repúdio. A linha clara entre um nacionalismo balofo e decadente de uma esquerda, anquilosada e fascizante, e um antimilitarismo internacionalista pujante é, sem dúvida, uma das consequências da preparação e realização da Contra Cimeira e das actuais Acções anti-Nato, em Portugal.

Emília Cerqueira

“Medo versus Antimilitarismo em Acção”


Crónica da manifestação antimilitarista em Lisboa contra a Nato

Antinatoportugal

Cerca de 30 000 manifestantes desceram a Avenida da Liberdade, debaixo de um dispositivo policial nunca visto, com polícia de operações especiais postada na Rotunda do Marquês e helicópteros sobrevoando a baixa lisboeta.

Milhares e milhares de bandeiras do Partido Comunista Português numa manifestação que ficou marcada pela divisão clara entre movimentos autoritários e movimentos não autoritários em Portugal.
Emília Cerqueira

O facto da organização desta manifestação ter mostrado um sectarismo absoluto tendo, inclusivé, em comunicado público, considerado a Pagan, Plataforma anti-guerra, anti-Nato, portuguesa, e todas as organizações internacionais antimilitaristas e pacifistas personas não gratas nesta manifestação, revela até que ponto o nacionalismo reacionário desta esquerda chegou. A polícia cumpriu o papel que um estado cada vez mais militarizado e policial lhe reservou.

Iniciado o desfile, na cauda da manifestação, dezenas de activistas antimilitaristas da PAGAN e internacionais desfilaram com todo o aparato bélico nas suas costas e à sua frente a ignomínia de “gorilas” a impedir a sua aproximação, fascização de autoritários, numa Europa onde isto já é raro, todo este preconceito contra o antimilitarismo.
Centenas de anti-autoritários quiseram juntar-se à manifestação, a seguir à Pagan.

A polícia imediatamente estabeleceu uma barreira para os impedir de avançar.

Ouviram-se gritos de “Vergonha!”, centenas de apitos, gritos da multidão, activistas da Pagan parados recusando-se a avançar enquanto as pessoas retidas não se juntassem à manifestação…gritos de indignação pela fascização da polícia…não mostrando medo e resistindo conseguiram que a polícia se afastasse e que a manifestação seguisse o seu rumo. Dezenas de panos anti-Nato, anti-guerra, bandeiras anarquistas, tambores, slogans como “Nato terrorista”, “A paixão pela liberdade é mais forte que a autoridade!”

” Activistas presos, liberdade já!”, palhaços antimilitaristas em perfomances junto da polícia, a solidariedade anti-autoritária no final da manifestação que se prolongou no Rossio, no Largo Camões e em Monsanto, onde os activistas continuam presos, em protesto e exigindo a libertação dos activistas presos esta manhã durante a acção directa não violenta de bloqueio em Cabo Ruivo, à entrada da Cimeira da Nato.
A linha clara entre um nacionalismo balofo e decadente de uma esquerda, anquilosada e fascizante, e um antimilitarismo internacionalista pujante é, sem dúvida, uma das consequências da preparação e realização das actuais Acções anti-Nato, em Portugal.

Crónica da manifestação antimilitarista em Lisboa contra a Nato